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Categoria : Futebol & Política

Quem é Aleksander Čeferin, o esloveno eleito novo Presidente da UEFA
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Celso de Miranda

Apenas 5 anos após ter assumido a presidência da federação eslovena, em 2011, Aleksander Čeferin foi eleito o novo presidente da UEFA, nessa quarta-feira durante o Congresso Extraordinário da UEFA, em Atenas, numa altura em que o organismo regulador do futebol europeu procura recuperar a imagem abalada durante a administração anterior.

O esloveno de 48 anos recebeu 42 votos das federações filiadas, contra 13 do outro candidato, Michael van Praag, da Holanda, e se torna apenas o 7º presidente da entidade fundada em 1954, sucedendo Ebbe Schwartz (Dinamarca), Gustav Wiederkehr (Suíça), Artemio Franchi (Itália), Jacques Georges (França), Lennart Johansson (Suécia) e Michel Platini (França).

Integridade: pouca experiência contou a favor do esloveno

Integridade: pouca experiência contou a favor do esloveno

Além de recuperar a credibilidade da entidade, o dirigente esloveno, natural de Grosuplje, a 20km da capital Ljubljana, terá de contrariar a ideia de que lhe falta experiência em funções importantes no futebol internacional, mas tem a seu favor uma reputação de competência, e, acima de tudo, de integridade.

Seu envolvimento formal com o futebol local aconteceu em 2005, por meio de seu trabalho com o conselho executivo do KMN Svea Lesna Litija, um dos clubes de futsal de maior sucesso da Eslovênia.

Formado em Direito pela Universidade de Ljubljana e praticamente desconhecido no mundo do futebol, Čeferin começou a trabalhar no escritório de advocacia de sua família, onde além de representar atletas profissionais e clubes desportivos ganhou fama por continuar a tradição do pai de defender sem custos as vítimas de violação dos direitos humanos no seu país, onde, em contraponto com o cenário futebolístico é há muito tempo uma figura pública.,

Federações filiadas votaram pela ruptura

Ruptura: reunidas em Atenas, as 54 Federações decidiram

Em 2011, Čeferin foi eleito presidente da Federação Eslovena de Futebol: desde então, também atuou como 2º e 3º vice-presidente do Comitê Jurídico da UEFA.

Equilíbrio perfeito
Ao rejeitar o experiente Van Praag (68), presidente da Federação Holandesa e figura reconhecida no futebol europeu, a UEFA deu um sinal claro sobre o desejo de ruptura com o passado recente, manchado pela suspensão de Michel Platini, que hoje se despediu alegando “consciência tranquila”.

Ceferin vai cumprir um mandato de dois anos e meio, período que restava ao dirigente francês, suspenso por 4 anos de todas as atividades ligadas ao futebol e que renunciou em maio desse ano ao cargo que ocupava desde 2007, quando sucedeu ao sueco Lennart Johansson, que foi presidente da UEFA durante 17 anos.

Utilizando como slogan de campanha a frase “Criando o equilibro perfeito”, o esloveno é visto como a pessoa indicada para conciliar os interesses dos grandes e pequenos clubes e federações, ainda que alguns clubes mais poderosos temam ver reduzida a sua influência na entidade.


UEFA ameaça punir Celtic por causa de bandeira palestinas na arquibancada
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Celso de Miranda

O Celtic pode enfrentar multa ou ter parte do seu estádio fechado nas próximas partidas do torneio depois que torcedores levaram bandeiras palestinas durante a vitória por 5-2 vitória sobre o Hapoel Beer-Sheva, de Israel na primeira partida dos playoffs de classificação da Liga dos Campeões, nessa quarta-feira no Celtic Park, em Glasgow.

Brigada: manifestação pode acabar em punição

Brigada: manifestação pode acabar em punição

O órgão máximo do futebol europeu proíbe manifestações políticas nos estádios e em ocasiões anteriores em que bandeiras, faixas ou banners foram mostrados em partidas contra clubes de Israel, a entidade acabou considerando o ato como “gestos provocativo”.

Responsável pela iniciativa, a torcida organizada conhecida como Green Brigade (“Brigada Verde”), teve mais de 1,5 mil confirmações no evento ‘Fly the Flag For Palestine, For Celtic, For Justice‘ (Agite a Bandeira pela Palestina, Pelo Celtic e pela Justiça’) criado em uma rede social: a entidade estima ter distribuídos mais de 3 mil bandeiras.

John N.F., um dos organizadores do evento, disse que os torcedores não são políticos, mas esperam mostrar aos palestinos que o apoio à sua luta está  viva e bem na Europa.

“O Celtic nasceu de comunidades irlandesas marginalizadas da Escócia e montou sua base em lutas por justiça social e pelos direitos dos trabalhadores em Glasgow”, afirma. “Hoje o time conta com muitos torcedores nas comunidades de imigrantes e refugiados.”

Em sua página na rede social, o grupo explicou que se opõe à participação de equipas israelenses nas competições europeias e dizem que seus representantes “não devem ser autorizados a participar das competição devido ao sistema de leis e práticas de apartheid, incluindo a colonização com base religiosa e étnica, ocupação militar e segregação do que resta da terra palestina.”

Apoio continua: time já foi punido em 2014

Apoio continua: time já foi punido em 2014

Multas e punições
O Celtic já foi punido pela UEFA 8 vezes nos últimos 5 anos por uma variedade de ofensas atribuídas à sua torcida: em uma delas o time foi multado em £ 16 mil  (R$ 66 mil) depois que a torcida entrou portando bandeiras palestinas contra o KR Reykjavik, da Islândia, na 2ª fase Pré-eliminatória da Liga dos Campeões  em julho de 2014.

“A Comissão Disciplinar, de Controle e Ética da UEFA considera a bandeira da Palestina um símbolo político, porque o conflito com as forças israelenses na região ainda está em curso”, disse a UEFA em comunicado na época.

No total, o Celtic acumula £ 123 mil (quase R$ 510 mil) por uma série de violações dos torcedores em jogos europeus, incluindo o uso de foguetes, banners com mensagens proibidas e comportamento e conduta imprópria.

Como é reincidente, se a entidade vier a formalizar uma acusação e o Celtic for considerado culpado, o time que praticamente garantiu uma vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões, pode até ter partes de seu estádio fechado e ter de jogar com torcida restringida nos próximos jogos europeus.


Primeiro jogador negro do Liverpool recusa título do Império Britânico
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Celso de Miranda

O ex-atacante Howard Gayle, primeiro negro a vestir a camisa do Liverpool, em 1977, recusou a nomeação para se tornar Membro da Ordem do Império Britânico (MBE, da sigla para Member of British Empire), alegando que isso seria uma traição a todos os africanos que sofreram sob o império britânico.

ogo mais famoso de Howard Gayle para Liverpool foi no Bayern de Munique em um 1981 European Cup segunda mão da meia-fina

Com o Liverpool contra o Bayern na semifinal da Liga Europa, em 1981

Nascido em Toxteth, cidade operária na periferia de Liverpool, Howard Gayle fez sua estreia no Liverpool em 1977, aos 19 anos, e vestiu a camisa dos Reds até 1983, quando se transferiu  para o Birmingham City. Depois atuou no Sunderland, Stoke City e Blackburn Rovers.

Em 1984, disputou a Euro Sub-21 e fez um dos gols da vitória por 2-0 sobre a Espanha, na partida de volta no Estádio Bramall Lane, em Sheffield, que garantiu o título à Inglaterra.

Aos 58 anos, Gayle é atualmente um dos principais porta-vozes do programa “Show Racism the Red Card” (“Mostre o Cartão Vermelho para o Racismo”), que desde 1996 combate o preconceito no esporte.

Disse não
O ex-jogador afirmou pelas redes sociais, que por causa desse trabalho foi indicado para receber o título de Membro da Ordem do Império Britânico,  porém recusou o convite

“Tive que recusar se não meus antepassados ​​estariam se revirando em suas sepulturas, depois de como império e o colonialismo lhes havia escravizou”, explicou em sua página no Facebook.

Segundo ele, a atração de ser um Membro do Império Britânico pode atrair muita gente e facilitar a vida de muitas maneiras mas “eu sinto que seria uma traição a todos os africanos que perderam suas vidas, ou que sofreram como resultado das ações do Império. “

Tags : Racismo


Jogador da Irlanda provoca ingleses com foto ao lado de ex-membro do IRA
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Celso de Miranda

O jogador da seleção da República da Irlanda James McClean gerou polêmica nessa sexta-feira, logo após a população do Reino Unido votar pela saída do país da União Europeia, ao postar nas redes sociais uma foto ao lado do vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte, Martin McGuinness, do Sinn Fein, político ligado ao Exército Republicano Irlandês, o IRA.

Reunificação: jogador da seleção a Irlanda posta foto ao lado de ex-integrante do IRA

Reunificação: jogador da seleção a Irlanda posta foto ao lado de ex-integrante do IRA

Na mensagem, o jogador do West Bromwich escreveu, que agora que o Reino Unido abandonou a Europa, Irlanda do Norte e República da Irlanda deveriam se unir. “Reacesas as chamas de reunificação”, postou. Na mensagem, o jogador ainda sugere um referendo sobre o assunto com as hashtags #BorderPoll #UnitedIreland.

O jogador de 27 anos já causou controvérsia antes por conta de suas posições anti-britânicas e anti-monarquistas: em julho de 2015, ainda na pré-temporada, o meia virou as costas à bandeira Inglesa durante a execução do hino “God Save de Queen”, antes da partida contra o Charleston Battery, na USL, nos Estados Unidos.

Antes, no Wigan, McClean já havia se recusado a usar em sua camisa a “Papoula Vermelha”, uma tradicional homenagem aos soldados britânicos mortos em combate.

Política e sociedade
A associação do jogador com o ex-integrante do IRA gerou controvérsia imediatamente dada a longa história de conflitos entre os dois países, que culminou na Guerra pela Independência da Irlanda (1919-20), mas também pelo atual referendo, que mexeu com toda a sociedade britânica, a ponto do primeiro-ministro da Inglaterra, David Cameron ter anunciado sua renúncia após o resultado.

Os comentários de McClean, de 27 anos vêm, ainda num momento em que ambas as seleções estão competindo nos últimos nas oitavas de final da Euro2016: no domingo, a Rep. da Irlanda enfrenta dos donos da casa, no Stade de Lyon, e na segunda-feira os ingleses jogam contra a Islândia, em Nice.

Apesar de representar a República da Irlanda, McClean nasceu em Derry (na Irlanda do Norte) e cresceu em Creggan, onde moravam seis dos mortos do Domingo Sangrento (“Bloody Sunday”), quando 14 manifestantes pelos direitos civis foram mortos por soldados ingleses na Irlanda do Norte.

McClean já havia polêmica quando ele se afastou da cruz de St George, quando 'God Save The Queen' começou a tocar em uma pré-temporada amigável em julho passado

McClean se recusa a prestar homenagem à bandeira e ao hino da inglês, em jogo nos EUA

Após o resultado da votação dessa sexta, McGuiness disse à rede de tevê irlandesa RTÉ, que o governo britânico tem agora um “imperativo democrático” de convocar um referendo sobre se a Irlanda do Norte deve deixar o Reino Unido e se unir à República da Irlanda.

“O governo britânico agora não tem nenhum mandato democrático para representar os pontos de vista da Irlanda do Norte em quaisquer futuras negociações com a União Europeia”, disse.

“Eu acredito que há um imperativo democrático para um referendo em seja realizado e a população irlandesa possa escolher o seu destino.”

“Estamos agora em águas desconhecidas, ninguém sabe realmente o que vai acontecer”, disse McGuiness. “As implicações para todos nós na ilha da Irlanda são absolutamente enorme. Isso poderia ter implicações muito profundas para a nossa economia. ”

Flor: no Wigan, McClean se recusou a usar a 'papoula' em homenagem a soldados ingleses

Flor: se recusou a usar a ‘papoula’ em homenagem a soldados ingleses

Apoio
O post de McClean no twitter mostra que ele é claramente um apoiante da política de McGuinness de que ‘ambos os países devem agora se unir e romper com o Reino Unido.

As fortes convicções políticas do jogador são bem conhecidos e esta não é a primeira vez que ele as exibe em público. McClean já havia causado polêmica ao virar as costas para o hino nacional britânico e e recusando a usar os uniformes com o símbolo da papoula.

Em ambos os casos, o jogador explicou que sua objeção derivava do papel que o exército britânico desempenhou na morte de inocentes na Irlanda do Norte.

Na Euro, com Robbie Brady, que marcou o gol da vitória sobre a Itália

Na Euro, com Robbie Brady, que marcou o gol da vitória sobre a Itália

McClean chegou a afirmar, na época que usaria a papoula se ela se restringisse a honrar soldados que morreram nas guerras mundiais, muitos dos quais eram irlandeses.

O jogador, que na juventude defendeu a Irlanda do Norte, mas que ao se profissionalizar escolheu jogar pela República da Irlanda, já fez 41 partidas pelo time principal – as últimas 3 durante a Euro2016 – e marcou 5 gols.

Ele afirma que a sua posição é pela paz e não baseada em qualquer tipo de ponto de vista político ou religioso.


Saída da UE pode afetar Premier League na próxima janela de transferência
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Celso de Miranda

Os clubes da Premier League não serão mais capazes de assinar com os melhores jovens talentos europeus após histórico resultado do referendo dessa sexta-feira, quando a população do aprovou por 52% a 48% a saída do Reino Unido da União Europeia.

E esse é apenas o impacto mais imediato, que a histórica decisão tomada hoje pela população inglesa pode ter sobre o futebol inglês, já que os regulamentos da FIFA  no estatuto sobre transferência de jogadores proíbem a negociação de jogadores com idade inferior a 18 anos.

No entanto, o Artigo 19 do estatuto (o chamado ‘artigo Sub-18’) prevê uma isenção que permite a transferências dentro do território da UE para os jogadores com a idade entre 16 e 18 anos.

Foi nessa brecha que o Arsenal contratou, anos atrás Cesc Fábregas, e mais recentemente, Héctor Bellerín,  ambos de 16 anos, do Barcelona.

O Manchester United trouxe Adnan Januzaj do Anderlecht e mais recentemente o volante Timothy Fosu-Mensah, do Ajax. Já o City trouxe Brahim Diaz (Málaga), Angelino (La Coruna) e Manu Garcia (Gijón), todos com passagens pelas seleções de base da Espanha.

Com a ruptura, os clubes da Premier League – e das demais divisões do futebol inglês – perdem o privilégio, como explica Antonia Torr, especialista em imigração do escritório de advocacia Howard Kennedy, com sede em Londres.

Segundo ela, caso o Reino Unido continue a fazer parte do EEE (Espaço Econômico Europeu), onde a livre circulação ainda os clubes ainda poderão pleitear na justiça a isenção. Se, no entanto se juntar à Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), como a Suíça, o Artigo 9 se tornaria nulo.

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Poder atrativo: queda da libra pode levar Payet para o Real Madrid

“Neste caso, caberia ao Reino Unido negociar acordos comerciais bilaterais, para restabelecer regras de livre circulação em vigor”, explica Torr. “O Artigo 19, em seu texto atual, não se aplica a esta opção, porque o Reino Unido estaria fora do UE e do EEE”.

O que muda
Sair da União Europeia pode se tornar um desvantagem dos times ingleses diante de Barcelona, ​​Real Madrid, Bayern de Munique e Paris Saint-Germain na contratação dos grandes craques, já na próxima janela de transferência: sem a força da Libra, a livre autorização de trabalho, a Premier League perde muito de seus atrativos e incentivos financeiros, e os grandes clubes do continente estariam livres para brigar pelos talentos da Europa.

Ballarin: brecha "Sub-18" permitiu jogador chegar ao Arsenal

Ballarín: brecha “Sub-18” permitiu jogador chegar ao Arsenal

O banqueiro de investimento Keith Harris, especialista que supervisiona a negociação de jogadores para grandes clubes ingleses, incluindo Chelsea e Manchester City, disse à Sky Sports News, que uma série de atletas não teriam jogado na Premier League na última temporada se o Reino Unido já tivesse deixado a União Europeia.

Atualmente jogadores de países dentro da União Europeia podem trabalhar no Reino Unido sem uma autorização de trabalho, mas isso vai mudar: “Na última temporada 432 jogadores europeus foram registrados para jogar na Premier League, não é provável que esses jogadores tenham que deixar o seus postos de trabalho, mas novos jogadores não terão o direito automático de viver e trabalhar no Reino Unido”, explica Harris.

Para ele, a aprovação no referendo dessa sexta-feira pode ter um impacto de futebol na Inglaterra em relação à compra de jogadores europeus: “N’golo Kante, Anthony Martial, Romelu Lukaku e Dimitri Payet não teriam sido autorizado a vir para Inglaterra”, afirma.

Kante: não estaria na Inglaterra caso a votação fosse o ano passado

Kante: não estaria na Inglaterra caso a votação fosse o ano passado

Para ele, o resultado foi um choque: “Eu me pergunto se a Premier League teria o mesmo poder atrativo de atração para jogadores como Kante, Martial, Lukaku e Payet como teve no passado”, disse. “E eles certamente estarão se fazendo essa pergunta daqui pra frente quando receberem propostas de clubes de outros países.”

Os europeus agora estarão sujeitos às mesmas regras de imigração de jogadores não comunitários, que incluem no caso de um jogador vindo de um país top-10 tem que ter jogado pelo 30% dos jogos nos dois anos anteriores à data a ser concedida uma autorização de trabalho.

Um jogador de uma nação classificada entre 11-20 deve ter jogado em 45%. O percentual sobre para 60% para os próximos 10 países, em seguida para 75% para os países classificados 31-50.


Novo escândalo envolve Blatter e Valcke em desvio de R$ 280 milhões da FIFA
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Celso de Miranda

A Procuradoria-Geral da Suíça confirmou nesta sexta-feira, que executou ontem um nova mandato de busca e apreensão, na sede da FIFA, em Zurique.

Hoje, o escritório de advogados Quinn Emanuel, que investiga irregularidades na entidade divulgou que apurou falhas nos contratos de um pequeno grupo de ex-funcionários da entidade.

Blatter: um dos três acusados ​​de ficar com R$ 280 mi da FIFA

Blatter: salários e bônus irregulares dos 3 acusados somariam R$ 280 milhões em 5 anos

Segundo os advogados especializados em fraudes fiscais, o ex-presidente Joseph Blatter, o ex-secretário-geral Jerome Valcke e o ex-secretário adjunto Markus Kattner, que também serviu de direto financeiro da entidade,  se apropriaram de cerca de R$ 280 milhões da organização nos últimos cinco anos.

“A evidência parece revelar um esforço coordenado dos três ex-altos funcionários, que conspiraram para enriquecer por meio de aumentos sucessivos, bônus e outros incentivos, alguns dos quais foram feitos à margem da legislação, que totalizam mais de SFr 79 milhões, apenas nos últimos cinco anos”, disse Bill Burck, um dos sócios da Quinn Emanuel.

A investigação revela evidências de violações de obrigações fiduciárias e também levanta questões sobre o papel da Sub-Comissão de Remunerações da FIFA.

“É claro que os resultados preliminares indicam que os pagamentos e contratos justificam o aprofundamento das investigações”, disse a FIFA, em comunicado oficial.

Markus Kattner foi demitido pela FIFA no mês passado sobre os pagamentos de bônus

Kattner foi demitido pela FIFA no mês passado por irregularidade no pagamentos de bônus

A entidade acrescentou, ainda que compartilhou todas as informações solicitadas pelo Gabinete do Procurador-Geral da Suíça e que também irá informar o Departamento de Justiça dos EUA sobre o assunto. “Isto é consistente com o compromisso da FIFA a cooperar com as autoridades e com a política de tolerância zero com qualquer desvio de conduta.”

A entidade também irá submeter esses contratos e pagamentos à Comissão de Ética da FIFA para a sua revisão.

Desvios
Como exemplos da má conduta dos três ex-funcionários, os investigadores apontam para prorrogações de contrato de 8 anos e meio dada a Valcke e Kattner em 2011, quando Blatter estava enfrentando um sério desafio em sua tentativa de ser reeleito presidente, na eleição contra Mohamed Bin Hammam.

Nos contratos de Valcke, 55, e Kattner, 45, também foram incluídas cláusulas de indenizações generosas, que lhes garantia o pagamento integral no caso de seus vínculos com a FIFA fossem encerrados: essas cláusulas foram criadas provavelmente para o caso de Blatter não ser reeleito.

Os investigadores alegam que esse tipo de contrato – especificamente por conta dessas cláusulas –  são ilegais sob a lei suíça.

Valcke: banido de todas as atividades de futebol por 12 anos

Valcke: banido de todas as atividades de futebol por 12 anos

Blatter, Valcke e Kattner, de acordo com os investigadores, também receberam um total de €20,5 (R$ 81,6) em bônus quatro meses após a Copa do Mundo na África do Sul, em 2010, apesar da ausência de quaisquer cláusulas de relacionados com o torneio constar de seus contratos.

Em 2011, alega-se que Blatter e Valcke se beneficiaram de um bônus de R$ 49,5 milhões relativos à escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo. E em 2014, Blatter, Valcke e Kattner receberam  R$55 milhões em bônus relativos à Copa na Rússia.

Entenda o novo escândalo

  •  Em 23 de maio de 2016, a FIFA anunciou o fim do contrato do alemão Markus Kattner por violação de seus deveres fiduciários. Essa decisão foi baseada em documentos coletados em uma investigação interna.
  • Os documentos também levantam sérias questões sobre a forma como foram feitos – principalmente sobre como foram aprovadas, as alterações nos contratos de trabalho de Blatter, Kattner e do ex-Secretário Geral Jérôme Valcke. Estas alterações resultaram em pagamentos maciços – no valor de dezenas de milhões de dólares – para os ex-funcionários da FIFA na forma de salários e bônus entre os anos de 2011 e 2015.
  •  No total, os documentos parecem revelar um esforço coordenado dos três ex-funcionários para enriquecer com aumentos sucessivos de salário, bônus em torneios, bem como o pagamento de indenizações indevidas.

 

 


Chefe do Comitê de Auditoria da FIFA renuncia e acusa presidente Infantino
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Celso de Miranda

O chefe da Comitê Independente de Auditoria e Conformidade da FIFA, o suíço Domenico Scala, que liderou as recentes reformas postas em prática na entidade máxima do futebol mundial atormentada por escândalos de corrupção, renunciou ao cargo na sexta-feira, dizendo que as comissões independentes perderam sua autonomia.

Segundo ele, as novas regras propostas pelo presidente Gianni Infantino e aprovadas durante o encerramento do 66º Congresso da FIFA, na Cidade do México deram ao Conselho – que substitui o Comitê Executivo – o poder de nomear, monitorar, julgar e afastar os membros dos comitês, incluindo os de auditoria, ética e finanças.

Na prática, diz Scala, as medidas acabam com “a total independência dessas três áreas, uma das alterações fundamentais estabelecidas no projeto de transparência, proposto na sequência dos escândalos de corrupção que abalaram a organização em 2015.”

Em sua carta de demissão, divulgada nesse sábado, Scala acrescentou que o novo Conselho mina um dos pilares centrais da boa governança e destrói uma conquista substancial das reformas:

“O Conselho pode agora impedir as investigações contra dirigentes a qualquer momento, ao negar provimento aos membros da comissão competente ou os mantendo submissos por meio da ameaça de demissão”, afirmou.

Demissão

Scala: um dos pilares da boa governança, uma conquista das reformas

Antes das reformas anunciadas, os membros das Comissões só poderiam ser demitidos pelo próprio Congresso, realizado anualmente com a participação (e voto) das 211 associações-membros.

Bastidores
Enfrentando acusações de minar o processo de reforma da organização depois de menos de 3 meses como presidente, desde que substituiu Josep Blatter no comando da FIFA em fevereiro prometendo ao mundo que conduziria a entidade a uma nova era de transparência, Gianni Infantino reagiu alegando que o Conselho só terá essa espécie de “superpoderes” nos próximos 12 meses até a realização do 67º congresso.

E tem certeza que eles só serão usados contra os vilões.

“Estamos seguindo um processo democrático,” disse Infantino aos repórteres na sexta-feira. “Se não agimos somos criticados e quando o fazemos somos criticados também.”

“A nova regra funciona apenas até a realização do 67º Congresso. Depois disso, nos critiquem se agirmos errado.”frasegif

“Nós iríamos esperar um ano para o Congresso afastar possíveis membros de comissões que deveriam ser mudadas?. Precisamos ser flexíveis para realizar todas as mudanças.”
(Gianni Infantino, presidente da FIFA)

A Comissão de Ética da Fifa, que se foi reformado em 2012, investigou e puniu mais de uma dúzia de altos funcionários da FIFA por violações de ética, incluindo o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o ex-secretário-geral Jerome Valcke.

Mal-estar  
Fontes próximas ao Conselho dizem que, na sexta-feira, apesar das animosidades acerca das negociações das novas regras, de manhã ainda havia um canal de comunicação entre Infantino e Scala, que discutiam sobre uma série de questões.

Isso até que Infantino  sua decisão, aparentemente unilateral de fazer de Fatma Samba Diouf Samoura como a nova número dois da FIFA.

Depois de apresentar o nome da diplomata senegalesa da ONU para ser a primeira mulher Secretária-Geral da FIFA, Infantino pediu ao Conselho que aprovasse a sua recomendação.

Infantino e a imagem de Diouf Samoura: primeira mulher

Infantino e a imagem de Diouf Samoura: primeira mulher

Apesar de essa ser uma prerrogativa do presidente, entre as novas medidas de reforma propostas por Scala e o Comitê de Conformidade, o novo secretário-geral da FIFA seria escolhido num processo de headhunting democrático, no qual uma lista com 3 ou 6 nomes seria apresentada, num sistema parecido com o que é feito na escolha de reitores de grandes Universidades, por exemplo.

A decisão mais uma vez levantou questões sobre quão democrática a FIFA será na realidade com Infantino. O presidente tinha o direito de indicar um nome para a secretaria-geral e o Conselho tem autonomia para aprová-lo.

No entanto uma entidade, que deseja realmente superar a profunda crise em que se discute sua lisura e credibilidade, talvez devesse optar por um processo muito mais transparente de seleção e aprovação do que foi realizado.

Perguntado por que a escolha e nomeação de Fatma Samoura foi feita dessa forma, Infantino respondeu em entrevista coletiva simplesmente, que “queria anunciá-la ao Conselho e, em seguida, às Federações e à imprensa.”

“Eu disse o tempo todo que eu não queria um Secretário Geral Europeu, e o Conselho aceitou e apoiou minha proposta”, disse. “O importante é que ela é a mulher certa para este trabalho, para esse cargo.”


Infantino defende UEFA e nega ato ilícito em acordo com TV equatoriana
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Celso de Miranda

Gianni Infantino fez ontem a negativa mais veemente até essa data de seu envolvimento em qualquer irregularidade nos chamados ‘Panamá Papers’.

O presidente da FIFA afirmou que não houve nenhum ato ilícito na negociação dos direitos entre a UEFA e a TV equatoriana e criticou a forma como o seu envolvimento tem sido tratado na Imprensa, classificado-o como uma “desgraça”.

Hoje presidente da FIFA, Gianni Infantino assinou documento como diretor jurídico da UEFA

Hoje presidente da FIFA, Infantino apareceu nos ‘Panama Papers’ como diretor jurídico da UEFA

Em uma entrevista à revista alemã Kicker, Infantino disse que agiu absolutamente de acordo com as normas da entidade quando, como diretor jurídico da UEFA, assinou um acordo de direitos de transmissão da Liga dos Campeões com uma empresa offshore localizada em uma remota ilha do Pacífico.

Na semana passada, a polícia da Suíça procurou a sede da UEFA, em Nyon, para investigar uma possível “gestão fraudulenta” no acordo assinado em 2006.

O parceiro de marketing da UEFA, a ‘Team Marketing’ vendeu os direitos de transmissão dos jogos no Uruguai para a Cross Trading, uma empresa de propriedade dos argentinos Hugo e Mariano Jinkis.

"Desgraça"

“Cobertura tem sido uma vergonha”

Pai e filho estão entre as 42 autoridades e entidades, que enfrentam acusações de corrupção nos Estados Unidos como parte do chamado ‘FIFA Gate’.

A negociação foi revelada no vazamento de 11 milhões de documentos sobre mais de 214 mil empresas offshore listadas pela panamenha Mossack & Fonseca.

Não há evidência de que qualquer pessoa ou a UEFA agiu ilegalmente, mas foram levantadas questões sobre os motivos que levaram a entidade a negociar com uma empresa offshore desconhecida em vez de tratar diretamente com uma emissora reconhecida.

Champions League 2005/06: direitos de transmissão deixaram o rastro

Champions League 2005/06: direitos de transmissão deixaram o rastro

A UEFA diz que não tinha conhecimento na época, que a Cross Trading acabaria revendendo os direitos à emissora equatoriana TeleAmazonas por três vezes o preço.

“O assunto tem sido tratado de forma precipitada”, avalia Infantino. “Muita coisa nem nós sabíamos. É simplesmente uma vergonha.”

“Todo o processo foi correto e bem documentado,” disse Infantino à Kicker. “A Team Marketing recomendou a melhor das duas propostas recebidas e o contrato foi negociado pela agência em detalhes e examinada por duas divisões da UEFA.”

"Não

“Fui um dos diretores que assinou por pura coincidência: poderia ter sido qualquer um”

Ainda de acordo com Infantino, seguindo um procedimento padrão da UEFA o documento foi assinado por dois diretores da entidade:

“Neste caso, eu fui um dos dois, mas dependendo da disponibilidade, poderiam ter sido dois outros diretores.”

“Se após a assinatura do contrato, o comprador dos direitos de transmissão realizou alguma operação abusiva, nem a UEFA, nem eu, nem o outro diretor que assinou, tivemos qualquer conhecimento, muito menos influência sobre isso.”


Torcedores do Liverpool: “Não vai ter golpe”
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Celso de Miranda

Um grupo de amigos torcedores do Liverpool viajou 800 km até a Alemanha para a partida do time contra o Borussia Dortmund, no Signal Iduna Park, pelas quartas de final da Liga Europa levando uma bandeira com uma mensagem de apoio à democracia no Brasil e contra a saída da presidente Dilma.

A ideia foi de Peter Hooton, um músico morador de Liverpool, que tem amigos brasileiros, que moram em São Paulo.

Foi ele quem postou em sua página nas redes sociais a imagem dele ao lado do amigo David perto do banco do Liverpool com a bandeira, que traz o rosto do ex-jogador Sócrates, do Corinthians e da Seleção Brasileira, com palavra “Democracia”, além da mensagem, em inglês: “Sem Golpe no Brasil.”

A bandeira vermelha, cor do Liverpool (time conhecido como “Reds”) trazia ainda o símbolo do clube.  

“Os sindicatos no Brasil e seus líderes apoiaram os estivadores de Liverpool durante as greve dos anos 1980”, comentou Ian Bennet, outro membro do grupo na rede social.

Foi uma fase difícil, de greves, recessão e demissões durante a qual se firmou uma solidariedade muito grande entre os partidos trabalhistas e sindicatos do mundo todo.

Na semana que vem, na partida de volta em Anfield o grupo estará no estádio novamente garante Hooton: “No Coup.”


Delegação da FIFA chega à Russia para 3ª visita aos estádios da Copa
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Celso de Miranda

Menos de três anos antes do início da Copa do Mundo de 2018, começou nessa segunda-feira, em São Petersburgo, a 3ª visita operacional da Delegação Conjunta da FIFA e do Comitê Organizador da Copa, que vai acompanhar a preparação dos estádios russos.

Vitória: ás margens do rio Volga

Vitória: às margens do rio Volga, nasce a nova Arena

Durante a visita, que vai até 14 de abril, a delegação liderada pelo diretor-geral do Comitê Organizador Alexei Sorokin e pelo diretor da FIFA para a Copa do Mundo, Colin Smith vai visitar apenas 6 cidades das 11 cidades (12 estádios), que vão sediar jogos em 2018: além de São Petersburgo, Nizhny Novgorod, Volgogrado, Samara, Ekaterinburg e Sochi.

Nesse domingo, parte da delegação esteve no atual estádio do Zenit, em São Petersburgo, para acompanhar a vitória do time da casa no clássico diante do CSKA Moscou, por 2-0, com direito a dois gols do brasileiro Hulk.

A capital Moscou, que terá jogos na Arena Spartak (45 mil), único estádio que atualmente já recebe jogos, e na “Arena Luzhniki”, que está sendo construída para 81 mil pessoas e receberá a abertura e a final da Copa, não será visitada.

Virtual
“Em Sochi, última etapa da passagem da visita, a delegação vai ter acesso a apresentações virtuais para se familiarizar com o andamento dos projetos das arenas das demais localidades: Kazan, Kaliningrado, Moscou, Rostov-on-Don, Saransk.”, informou Chris Unger, chefe da Unidade de Copa do Mundo, e um dos membros da delegação da FIFA.

Segundo Unger, nesse momento o principal objetivo da visita é atualizar e dividir entre todos os setores envolvidos no projeto as informações acerca do andamento das obras, bem como avaliar e debater eventuais pontos que porventura mereçam atenção.

Além dos representantes das entidades, a delegação inclui especialistas em cada detalhe dos projetos de instalação dos estádios, das obras de engenharia civil às estratégias para venda de ingressos.

São Petersburgo: investimento privado

São Petersburgo: investimento privado

“São especialistas na preparação e na realização de uma competição desse porte”, afirma Unger. “Temos engenheiros de produção, programadores, gente de segurança, transporte e logística. Especialistas em serviços de hotelaria, radiodifusão televisiva, mídia, recursos humanos e marketing, auditores fiscais…”

Segundo ele, a delegação ainda é composta por gente responsável pelas relações públicas e governamentais da entidade junto aos órgãos do governo russo, ministérios e departamentos, além de organismos internacionais envolvidos, e que atua com total autonomia para fiscalizar a atuação de cada uma dentro dos parâmetros da Comissão de Ética da FIFA.

Cosmos: arena e Samara é uma das mais atrasadas

Cosmos: arena e Samara é uma das mais atrasadas

O que vão ver?

  • São Petersburgo – Primeira parada da comitiva da FIFA, a cidade que é sede de um dos principais clubes da Rússia, o Zenit está construindo um estádio com investimento 100% privado de uma das maiores empresas russas (uma das principais companhias de energia e gás do mundo), que é acionista majoritária do Zenit e uma das maiores patrocinadoras da FIFA.O nome definitivo da arena com capacidade para 68 mil torcedores, ainda será definido em maio de 2016. Arena  a ser entregue em fevereiro de 2017 e será o palco principal da Copa das Confederações. Na Copa vai sediar uma das semifinais.
  • Nizhny Novgorod – Batizada com o nome da cidade, a “Arena Nizhny Novgorod” terá capacidade para 45 mil pessoas e será entregue em setembro de 2017.
Menor: Nova "Arena Central" será a casa do FK Ural

Menor: Nova “Arena Central” será a casa do FK Ural

  • Volgogrado – Construída no local do antigo Estádio Central, entre a Colina Mamayev e a margem direita do rio Volga, a nova “Arena Vitória” (Арена-Победа) terá capacidade para 45 mil pessoas. De acordo com a empresa responsável pelas obras, até agora foram realizados apenas 5% dos trabalhos de construção do estádio.
  • Ekaterinburgo – Menor Arena da Copa, a “Central” (Центральный) terá capacidade para 35 mil torcedores durante a Copa do Mundo. De acordo com representantes do governo da região de Sverdlovsk, porém após o torneio a capacidade será reduzido para 23 mil lugares.O estádio “Central” foi concluído originalmente em 1957: em 2014, a arena na qual atua o Ural, atual 8º colocado da Premier League Russa, foi fechado para a reconstrução. Ele será concluída em dezembro 2017
Luzhini: de fora da visita

Arena Luzhini, em Moscou: de fora da visita

  • Samara – As obras da “Arena Cosmos” começaram em 2014 e serão concluídas em 15 de dezembro de 2017. Quando estiver pronta terá capacidade para 45 mil pessoas

  • Sochi –  O Estádio construído para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2013 e apelidado de “Fischt” está sendo reconstruído e ganhará capacidade para 47 mil pessoas. A conclusão das obras está prevista para junho desse ano. A capacidade da arena, que sediou a cerimônia de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno, será reduzida após a Copa para 25 mil lugares.