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Categoria : História

Memória: 15 anos depois, Philipp Lahm faz sua 500ª partida pelo Bayern
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Celso de Miranda

Além das emoções do clássico diante do Schalke 04, na 19ª rodada da Bundesliga, os torcedores que comparecerem na Allianz Arena nesse sábado, em Munique, vão presenciar um momento especial: 15 anos depois de sua estreia, o lateral Philipp Lahm fará sua 500ª partida com a camisa do Bayern.

Aos 33 anos, o lateral iguala a marca de Bastian Schweinsteiger, como o 8º jogador que mais atuou pelo clube: mais que ele, apenas os goleiros Oliver Kahn (632 jogos) e Sepp Maier (623), o artilheiro Gerd Müller (573), Hans-Georg Schwarzenbeck (554), Klaus Augenthaler (545), o kaiser Franz Beckenbauer (539) e Bernd Dürnberger (505).

História
Era 13 de novembro de 2002 e o Bayern recebia o Lens, num Olympiastadion quase deserto, para a 6ª rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões.

Estreia contra o Lens: empate

Estreia: substituindo Feulner contra o Lens

Tendo perdido duas vezes tanto para o Deportivo La Coruña, quanto para o Milan (que acabarai como campeão), o vencedor de 2001 Bayern vinha tendo uma campanha desastrosa sob o comando de Ottmar Hitzfeld e entrou em campo contra o time francês já sem chance de chegar à 2ª fase.

Aos 87′, a pequena torcida teve ao menos uma alegria: Markus Feulner marcou 3-2 para o Bayern, parecendo garantir pelo menos uma despedida honrosa.

Logo depois do gol Hitzfeld tirou o meia Feulner, que hoje, aos 34 anos ainda atua no Augsburg, e colocou  um jovem lateral direito da academia do Bayern, que acabava de comemorar seu 19º aniversário: um tal de Philipp Lahm.

Deu azar: logo em seguida, aos 90′, o meia Jocelyn Blanchard marcou de cabeça e empatou para o Lens: e o Bayern terminaria sem vitória, com apenas 2 pontos em 8 jogos.

Longo caminho
Lahm jogou apenas 1 minuto antes que o árbitro apitasse o final. E, primeiro relegado ao Bayern B, depois emprestado ao Stuttgart, o jovem lateral não faria outra partida pelo Bayern por 3 anos.

De volta em 2004/05, o jogador tornou um líder no Bayern, onde venceria 7 vezes a Bundesliga, 5 vezes a Copas da Alemanha e uma vez a Liga dos Campeões.

Convocado para a Copa de 2006, por Jürgen Klinsmann, marcou um golaço aos 6′ da partida de estreia diante da Costa Rica, em plena Allianz Arena: “Provavelmente foi o gol da minha vida”, diz Lahm.

Depois de assumir a braçadeira de capitão na Copa de 2010, quando foi o único membro do elenco a jogar todos os minutos da campanha do time que acabou em 3º lugar, 4 anos depois Lahm levantaria a Copa do Mundo, em pleno Maracanã:

“Philipp tem autoridade natural, assume a responsabilidade e se comunica bem, é um líder espontâneo”, afirma o técnico Joachim Löw.

Campeões do Mundo: o capitão em pleno Maracanã

O pequeno e versátil jogador de 1m70, que atuou como lateral na direita e na esquerda e até como zagueiro se tornou um gigante do Bayern e do futebol alemão.

Após a vitória sobre a Argentina na final (sua 113ª partida com a camisa da Alemanha), Lahm deixou a seleção, mas continuou com sua vitoriosa carreira no Bayern sob o comando de Pep Guardiola, com quem venceu 3 títulos.

“O Bayern teve Franz Beckenbauer, Gerd Müller, Uli Hoeness e Karl-Heinz Rummenigge e para mim, Philipp Lahm está no mesmo nível que essas lendas”, disse uma vez Guardiola, em entrevista ao SportBild.

“Ele é o capitão perfeito para o Bayern e me ajudou muito tanto dentro e fora do campo.”

Foco: Lahm pode vencer essa temporada seu 8 título da Bundesliga

Futuro
Aos 33 anos, Lahm comemora sua 500ª partida no Bayern, clube ao qual se juntou quando tinha 11 anos. No passado, ele afirmou sua intenção de se aposentar em 2018.

Enquanto isso o jogador segue motivado em alcançar marcar com o Bayern: se o time garantir nessa temporada o 5º título seguido da Bundesliga, Lahm vencerá o 8º título da liga, igualando o recorde de lendas do clube, como Oliver Kahn, Mehmet Scholl e Bastian Schweinsteiger.

O atual treinador Carlo Ancelotti, porém tem uma visão diferente do assunto: “Lahm é muito importante para o Bayern”, disse o italiano.

“Ele é um modelo para toda a equipe, então quanto mais tempo ele jogar melhor! Paolo Maldini venceu a Liga dos Campeões com 39. Estou certo de que Lahm pode jogar até os 39 anos.”

 

 


Há 10 anos, Julio Baptista brilhava no Arsenal com 4 gols sobre o Liverpool
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Celso de Miranda

Em 9 de janeiro de 2007, o meia Julio Baptista marcou 4 vezes na goleada do Arsenal sobre o Liverpool (6-3), nas quartas de final da Copa do Liga Inglesa, diante do Estádio de Anfield lotado.

O brasileiro, que ainda perdeu um pênalti, marcou o 2º, o 4º, 5º o e 6º gols. O francês Jérémie Aliadière abriu o placar e o camaronês Alex Song marcou o 3º, ainda no primeiro tempo.

Robbie Fowler, Steve Gerrard e Sami Hyypia marcaram para o Liverpool, que pela primeira vez em quase 77 anos  sofria 6 gols em casa.

Baptista terminaria como artilheiro do torneio com 6 gols, ao lado do galês Jermaine Easter, da supresa da temporada Wycombe Wanderers, que também avançou até as semifinais, quando caiu diante do Chelsea.

Para a história: 4 gols no clássico

Para a história: 4 gols no clássico

Emprestado pelo Real Madrid ao time inglês para a temporada 2006/07, o ex são paulino, então com 25 anos, fez 35 jogos e marcou 10 gols com a camisa do Arsenal.

A goleada sobre o Liverpool levou o Arsenal à semifinal da Copa da Liga, onde o time venceria o Tottenham, por 5-3 no placar agregado (na primeira partida, em White Hart Lane, Julio Baptista marcou os 2 gols do Arsenal, no empate em 2-2).

Na final, porém os ‘Gunners’ cairiam diante do Chelsea (2-1), em Wembley.

 

 


Rooney iguala recorde como maior artilheiro da história do Man United
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Celso de Miranda

Wayne Rooney precisou de apenas 7 minutos para abrir o placar na vitória do Manchester United sobre o Reading (4-0), nesse sábado, em Old Trafford, em jogo da 3ª rodada da Copa da Inglaterra: Anthony Martial, aos 15′, e Marcus Rashford (75′, 79′) completaram o placar.

O gol de Rooney, porém foi histórico: o atacante marcou seu 249º gol com a camisa dos ‘Red Devils’ e se igualou a Bobby Charlton como o maior artilheiro da história do clube.

Aos 31 anos, Rooney alcança a marca depois de 543 partidas: 215 jogos (e 4 temporadas) a menos do que precisou Charlton.

Em 2015, Rooney superou Charlton para se tornar o maior artilheiro da seleção inglesa (49 gols) e, desde então já alcançou 53.

Depois de contratado junto ao Everton, em 2004, por £ 27 milhões (ou R$ 107 milhões, em valores atuais), Rooney marcou 3 gols em sua estreia contra o Fenerbahce em uma vitória por 6-2 na Liga dos Campeões.

De fora dos últimos 3 jogos do United devido a uma lesão muscular, Rooney tem apenas 4 gols na temporada (2 pela Liga Europa, 1 na Premier League e 1 na Copa da Inglaterra), mas terá a chance de se isolar como maior artilheiro da história do clube já na próxima terça-feira, quando o time recebe o Hull City, na primeira partida das semifinais da Copa da Liga Inglesa.

Na Premier League, o United volta a campo no clássico diante do Liverpool, no próximo domingo (dia 15), em Old Trafford.


Memória: há 20 anos, a Inter batia a Roma com um golaço de Djorkaeff
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Celso de Miranda

Há 20 anos, no dia 5 de janeiro de 1997, o françês Youri Djorkaeff marcava esse golaço na vitória da Inter sobre a Roma (3-1), no Estádio Guiseppe Meazza,  Milão.

Na partida válida pela 15ª rodada do campeonato italiano, Maurizio Ganza abriu o placar (11′) e Djorkaeff aumentou aos 39′: depois de tentar de esquerda da entrada da área, o francês pegou o rebote do goleiro Giorgio Sterchele e acertou um lindo voleio de direita no ângulo.

No 2ª tempo, marcaram ainda Marco Delvecchio, para a Roma (48′) e Salvatore Fresi para o time da casa (70′).

Com a vitória, a Inter chegava à 4ª posição (4 pontos atrás da líder Juventus). No final da temporada, o time de Milão terminaria em 3º lugar, 6 pontos atrás da campeã Juve.

Golaço: ao lado do chileno Zamorano, Djorkaeff comemora

Golaço: ao lado do chileno Zamorano, Djorkaeff festejou

Com 28 anos, Djorkaeff revelado pelo Grenoble estava em sua primeira temporada na Inter (onde ficaria por mais 2 anos e jogaria ao lado de Ronaldo).

O jogador formado pelo Grenoble, que apareceu no cenário internacional defendendo o Monaco no início dos anos 1990, seria um dos principais líderes da França, na conquista do título mundial na Copa de 1998.

Na Roma, o destaque era um garoto cabeludo de 22 anos, um tal de Francesco Totti. O time da capital tinha ainda o zagueiro Aldair como o único brasileiro em campo:


Rossi faz 60 anos: o dia do carrasco…
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Celso de Miranda

A lenda do futebol italiano, carrasco do Brasil na Copa do Mundo de 1982 e um dos maiores ídolos da história da Juventus, Paolo Rossi completa 60 anos, nesta sexta-feira, 23 de setembro.

Para marcar a ocasião fastFUT relembra algumas datas de sua brilhante carreira:

A estreia entre os profissionais
Paolo Rossi chegou à Juventus aos 16 anos e fez sua estreia no primeiro time principal antes de completar 18 anos em 1 de maio de 1974 na vitória por 1-0 da Juve sobre o Cesena na Copa da Itália.

Primeiro gol entre os profissionais
Emprestado para o Como em 1975-76 teve uma temporada reduzida por uma lesão, fazendo apenas 6 partidas no total. No ano seguinte, o atacante natura de Prato foi emprestado para Vicenza, da Serie B, onde marcou seu primeiro gol como profissional sobre o Varese (2-0).

Com 21 gols em 36 jogos, Rossi acabaria como artilheiro da 2ª divisão, contribuindo muito para que o time fosse promovido a Serie A, onde ele confirmou sua vocação como artilheiro marcando 24 gols na temporada seguinte, quando o Vicenza terminou em 2º lugar, atrás apenas da Juventus e Rossi se tornou o primeiro jogador na história a ser artilheiro da Série B e Serie A.

Gols importantes

Gols: Rossi marcou na estreia da Itália na Copa de 1978

A primeira vez na seleção
Suas performances no pequeno Vicenza atrairam a atenção do treinador da Itália Enzo Bearzot, que chamou o jovem prodígio de 21 anos para um amistoso na Bélgica em 21 de dezembro de 1977: Rossi foi titular e a Itália venceu por 1-0 (gol de Giancarlo Antognoni).

No total, ele faria 48 jogos pela seleção e 20 gols.

Primeiro gol pela Itália
Foi em sua 3ª partida pela seleção, que Rossi marcou seu 1º gol: e foi logo na estreia da Itália na Copa do Mundo de 1978, na Argentina, quando o time bateu a França, por 2-1 em Mar del Plata.

Marcante: vitória contra o Brasil em 1982

Marcante: 3 gols na vitória contra o Brasil em 1982

Primeiro título no clube
Depois de vencer a Serie B com Vicenza em 1977, Rossi ganhou dois títulos da Serie A com a Juventus em 1982 e 1984. Além da Copa da Itália (1983), Supercopa da Itália (1984), Supercopa Europeia (1984) e a Copa Campeões da Europa (1985).

Campeão da Europa
Depois de estrear na Copa dos Campeões da Europa (atual Liga dos Campeões) em 15 de setembro de 1982, em Copenhague e marcar na vitória diante do Hvidovre por 4-1, Paolo Rossi levantaria o troféu no dia 29 de maio de 1985, depois de vencer o Liverpool na final em Heysel (1-0) nas circunstâncias que ficaram tristemente marcadas na história do futebol. O italiano foi artilheiro do torneio em  1982-83 (6 gols).

Tri: Rossi marcou o 1o gol na final sobre a Alemanha

Tri: Rossi marcou o 1º gol na final sobre a Alemanha

A vitória na Copa do Mundo
Banido por 2 anos do futebol por participação no esquema de combinação de resultados do campeonato italiano, que ficou conhecido como “Totonero”, Paolo Rossi voltou à competição em abril de 1982, e foi novamente chamado por Enzo Bearzot para integrar o grupo que disputaria a Copa do Mundo na Espanha, apenas dois meses depois.

Depois de um início irregular, com empates diante da Polônia, Peru e Camarões, a Itália se recuperou vencendo a então campeã do Mundo Argentina (2-1) e o favorito Brasil, quando Rossi marcou os 3 gols na vitória por 3-2.

Depois de eliminar a Polônia na semifinal (com mais 2 gols de Rossi), a Itália venceu a Alemanha por 3-1: Rossi marcou o primeiro da decisão e terminou como artilheiro da competição (6 gols), além de ser eleito o melhor jogador do torneio.

 (Reuters)

Ouro: melhor do mundo em 1982

Melhor do mundo
Campeão italiano com a Juventus e campeão do mundo com a Itália – quando foi melhor jogador e artilheiro do Mundial, Rossi recebeu a Bola de Ouro em 1982 (que antes da existência do prêmio da FIFA era considerado o mais importante do mundo e, apesar de só escolher jogadores europeus).

Rossi recebeu 115 pontos e terminou bem à frente dos outros dois finalistas, o francês Alain Giresse (64 pontos) e o polonês Zbigniew Boniek (53).

Aposentadoria
Depois de duas temporadas sem brilho no Milan (1985-86) e Hellas Verona (1986-87), Paolo Rossi decidiu terminar a sua carreira de jogador: ele ainda não havia completado 31 anos.


Heróis do Futebol Olímpico: Kiko, Espanha (Barcelona, 1992)
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Celso de Miranda

Depois de mais de 70 anos, uma seleção anfitriã chegava à decisão do torneio de futebol nos Jogos Olímpicos naquela noite de 8 de agosto de 1992.

A Espanha, em Barcelona pretendia repetir o feito da Bélgica em Antuérpia, em 1920 e do Reino Unido – que ainda competia como uma única Federação -, em 1908 em Londres (quando o futebol foi oficialmente incluído na programação dos Jogos) e vencer a Medalha de Ouro em casa.


Poland v Spain Olympic Football Final 1992 por timsalmon17

Mas isso não parecia lá tão fácil ao final da primeira etapa, os 95 mil torcedores no Camp Nou, incluindo o rei Juan Carlos, a Rainha Sofia e o presidente do COI, Juan Antonio Samaranch viram o o atacante Wojciech Kowalczyk abrir o placar para a Polônia (44′).

Foi primeiro gol sofrido no torneio pela Espanha, que havia passado na primeira rodada por Colômbia (4-0), Egito (2-0) e Qatar (2-0), eliminando Itália (1-0) nas quartas-de-final e Ghana, por 2-0 nas semifinais.

A Espanha tinha Pep Guardiola e Luis Enrique mas foi o zagueiro Abelardo, então no Gijón, que faria longa carreira no Barcelona, quem empatou a partida (65′) e Francisco “Kiko” Narvaez, atacante do Atlético Madrid, quem levou os anfitriões à liderança.

Ouro: com Ferrer, Kiko e o gol para a história

Ouro: com Ferrer, Kiko e um gol para a história

Mas a Polônia mostrou sua força olímpica e novamente igualou o placar com Ryszard Staniek (76′).

A partida já ia além do tempo regulamentar e a prorrogação já parecia certa, quando Kiko, que já havia feito o gol da vitória contra a Itália nas quartas, marcou o gol da vitória e da Medalha de Ouro.

Na seleção principal adulta Kiko presença constante durante 6 anos (1992–1998), totalizando 26 partidas e 5 gols e disputando a Euro 1996 e a Copa de 1998.

Véspera
Outra seleção já havia feito história um dia antes, no dia 7, na disputa do 3º lugar entre Austrália e Gana: com o time mais novo da competição (18,8 anos), os africanos venceram por 1-0 e ficaram com a Medalha de Bronze, tornando-se o primeiro país Africano a  ganhar uma medalha no torneio de futebol olímpico.

Registro: Gana recebe primeira medalha olímpica para o futebol africano

Registro: Gana recebe primeira medalha olímpica para o futebol africano

Gana marcou numa cobrança de falta de Isaac Asare, aos 20 minutos: o jovem herói africano se transferiu para a Bélgica, onde atuou no Anderlecht, sendo emprestado para times de menor expressão, até se transferir em para o Cercle Brugge (hoje na 2ª divisão).

Aos 41 anos, o zagueiro se aposentou atuando no Lentezon Beersem time de uma liga regional de Antuérpia, onde mora.

A medalha de Gana apenas abriu o caminho para uma série de conquistas das seleções africanas nos Jogos Olímpicos: em 1996, em Atlanta, a Nigéria conquistou o Ouro vencendo a Argentina na final (3-2).

Em Sydney, 4 anos depois, foi a vez de Camarões vencer o título batendo a Espanha na decisão (2-2/5-3pen). Em 2008, em Pequim a Nigéria voltaria ao pódio, ficando com a Prata, ao ser derrotada pela Argentina (1-0)

 


Heróis do Futebol Olímpico: Kazimierz Deyna (Polônia,1972)
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Celso de Miranda

Quando a seleção olímpica da Hungria entrou no Olympiapark de Munique, na Alemanha Ocidental na tarde de 10 de setembro de 1972 para decidir o torneio de futebol diante da Polônia, além de tentar o 3º título consecutivos, defendia uma série invicta de 18 partidas (16 vitórias, 2 empates): a última derrota havia sido para a Dinamarca, por 2-0, nas semifinais em 1960, em Tóquio.

E os “Mágicos Magiares”  já venciam por 1-0 no intervalo, gol de Béla Várady, quando a Polônia revelou mundo – e para os mais de 80 mil torcedores no Estádio Olímpico o meia Kazimierz Deyna, autor dos dois gols da virada, que deram o Ouro aos poloneses.

Deyna, que terminou o torneio como artilheiro com 9 gols, estava longe de ser uma estrela individualista e fazia parte de um time que tinha Grzegroz Lato e Robert Gadocha, e serviria de base para as conquistas da medalha de prata em Montreal, em 1976, e da 3ª posição na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental.

Dois gols na final e a medalha de ouro

Dois gols na final e a medalha de ouro

Na disputa do 3º lugar União Soviética e Alemanha Oriental empataram em 2-2 e dividiram o Bronze (na época não havia nenhum mecanismo para determinar o vencedor).

O Brasil com apenas 1 ponto – empate com a Hungria (2-2) e derrotas para Dinamarca (3-2) e Irã (1-0) – não superou a primeira fase, ficando em último em seu grupo.

‘Szacunek’
Após a Copa voltou a Polônia e ao Legia Warszawa, onde jogou de 1966 a 1978 (304 jogos e 93 gols). Uma estátua de bronze de Deyna está na rua Łazienkowska, em Varsóvia, diante do estádio do Legia e não é raro ver flores aos  normalmente coberto de flores colocadas junto à bola e ajeitadas bem adiante de pé direito.

Eterno: ouro na medalha, bronze na estátua

Eterno: ouro na medalha, bronze na estátua

Em 1978, Deyna foi para o Manchester City, onde virou ídolo: “O rapaz era icônico”, lembra Brian Kidd, ex-companheiro do polonês e atual assistente do City. “Era sublime. Tão elegante.”

“Tinha uma excelente visão de jogo e uma… sofisticação, não encontro outra palavra pra descrever a forma com que conduzia e passava a bola. As pessoas falam sobre a técnica do afluxo de jogadores estrangeiros nos dias de hoje. Kazi estava bem acima.”

Em 1981, ainda jogador do City, apareceu no filme “Fuga para a Vitória”, ao lado de Pelé, Bobby Moore e Sylvester Stallone, onde fazia um dos prisioneiros que enfrentava o time de soldados alemães.

Vitória: no filme de 1981, ao lado de Pelé e Bobby Moore

Vitória: no filme de 1981, ao lado de Pelé e Bobby Moore e do “goleiro” Stallone

No mesmo ano, Deyna assinou com o San Diego Sockers, da North American Soccer League (NASL), onde jogou 7 temporadas – sendo 3 na Liga Indoor – até 1987.

Deyna permaneceu nos Estados Unidos depois de aposentados. Dois anos depois, em 1989, morreu em um acidente de carro em San Diego, Califórnia, aos 41 anos.

Seu número 10 é aposentado pelo Legia Warsaw. Em junho de 2012, os restos mortais de Kazimierz Deyna foram trasladados para Varsóvia e enterrados num Cemitério Militar: nas lápide de mármore, ou nas paredes de Varsóvia, onde os torcedores não esquecem de homenagear seu ídolo, apenas uma palavra: “Szacunek” (ou ‘Respeito’).


Há 50 anos Portugal e URSS disputavam o 3º lugar da Copa em Wembley
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Celso de Miranda

Há 50 anos, no dia 28 de julho a União Soviética, então vice-campeã europeia, encerrava sua participação na Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra, disputando o 3º lugar contra Portugal, diante de mais de 87 mil torcedores no estádio de Wembley

O time de Eusébio venceu por 2-1: o próprio Eusébio cobrando pênalti abriu o placar e Eduard Malofeev, que se tornaria um grande técnico do Zenit empatou para os soviéticos ainda no primeiro tempo.

Mas no último minuto da partida, José Torres, o “Bom Gigante” do Benfica deu o título a Portugal, que até a recente vitória na Eurocopa na França era comemorada como maior conquista do futebol português.

URSS e Portugal: futebol para a história

URSS e Portugal: futebol para a história

Ainda assim o 4º lugar ainda é a melhor colocação da União Soviética (da Rússia, ou de qualquer uma das seleções dos países que surgiram depois da separação da URSS) em Copa do Mundo.

Dois dias depois, diante de 96.924 torcedores em Wembley, numa das finais mais mais emocionantes de todas as Copas, a seleção da casa faria 4-2 na Alemanha Ocidental.


Rivaldo lembra os 15 anos de ‘um gol que ficou para a história do futebol’
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Celso de Miranda

“Há exatamente 15 anos eu estava fazendo um dos gols que ficaram para a história do futebol mundial”, postou, sem modéstia, nessa manhã o ex-jogador Rivaldo em suas páginas nas redes sociais.


O ex-meia do Barcelona se refere o 3º e mais bonito gol, que ele marcou de bicicleta aos 43′ do 2º tempo, dando a vitória por 3-2 sobre o Valencia, em jogo do Campeonato Espanhol.

O resultado no Camp Nou, na última rodada da temporada 2000/01 garantiu ao Barça uma vaga na próxima Liga dos Campeões da Uefa na temporada seguinte: “Tenho muito orgulho de ter jogado nesse grande clube. Momentos inesquecíveis que agradeço a Deus por ter me proporcionado”, escreveu.

Rivaldo contra o Valencia: de bicicleta aos 42'

Rivaldo: de bicicleta aos 43′ do 2º tempo

Revelado pelo Santa Cruz, Rivaldo, Rivaldo jogou no Mogi Mirim, Corinthians e Palmeiras antes de se transferir, em 1996 para Espanha.

Depois de uma temporada no Deportivo La Coruña, o jogador chegou ao Barça, onde fez 230 jogos e marcou 136 gols, entre 1997 e 2002.


Um ex-refugiado na Euro: artilheiro da liga sueca estreia diante da Irlanda
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Celso de Miranda

Em 12 de maio, quando foram anunciados os 23 nomes da seleção da Suécia para a Euro 2016 o de Emir Kujović provavelmente não estava entre os mais conhecidos.

Depois de ser o artilheiro (21 gols) na temporada passada, quando ajudou o IFK Norrköping a conquistar o título depois de 26 anos, Kujovic foi convocado pela primeira vez para o playoff das Eliminatória, contra a Dinamarca, em novembro.

Apesar de não ter entrado em nenhum dos dois jogos, aos 27 anos, o atacante nascido em Bijelo Polje, ex-Iugoslávia, atualmente Montenegro, se manteve no time marcando 7 gols nas 9 primeiras rodadas da liga desse ano e agora está pronto para ‘ir para o jogo’ contra a República da Irlanda, no Stade de France, em Saint Denis.

Desafios
Em janeiro, ele marcou seu primeiro gol com a camisa da seleção num amistoso contra a Finlândia (0-3). “Como todo jogador, eu sonhava em chegar à seleção” falou. “Mas eu sou um cara que gosto de desafios e a partir do momento em que eu fui convocado meu objetivo passou a ser entrar em campo e jogar.”

“Não estou feliz apenas por ser parte da equipe” afirmou. “Eu quero jogar e se eu tiver uma chance eu vou mostrar que posso fazer o meu melhor e que posso contribuir para o sucesso do time.”

“Eu sei que estou competindo com grandes jogadores, mas eu tenho confiança e acredito em mim,” disse o artilheiro Allsvenskan do ano passado.

Depois da Irlanda, a Suécia enfrenta Itália (dia 17) e Bélgica (22) no Grupo E.

Traumas
Foi um longo caminho até a França: Emir Kujović chegou à Suécia como refugiado, em 1992, com apenas 3 anos de idade.

Kujovic: artilheiro no IFK Norrköping

Kujovic: artilheiro no IFK Norrköping

Seus pais fugiram de Montenegro por causa da Guerra dos Balcãs junto a outras milhares de famílias, que enfrentavam uma crise não tão diferente da recente situação vivida na Síria, onde milhões de pessoas foram forçadas a abandonar suas vidas.

As lembranças de Emir, segundo ele mesmo afirma são menos traumáticas: “Saímos ainda no começo do conflito e pelo que me lembro não houve barcos, perseguições, ou tiroteios”, disse. “Não foi tão dramático como as imagens que vemos da Síria.”

“Montenegro em 1992 era um Estado independente e o exército sérvio queria obrigar todos os homens – incluindo os de famílias muçulmanas, como a nossa – a aderir e lutar na guerra ao lado deles contra outros muçulmanos na Bósnia,” conta.

“Eu ainda era criança, mas meu pai seria obrigado a entrar para o exército”, conta. “E o mais grave não era a questão de lutar contra outros muçulmanos, mas nós tínhamos tios e outros parentes viviam na Bósnia e estavam no exército bósnio.

Segundo ele, a ideia de ter que atirar em seu irmão, em seus parentes fez com os país decidissem deixar o país: “Foi muito difícil para eles”, conta Kujović.

“Nós não ouvimos cair bombas ​​e não me lembro de termos corrido nenhum risco, mas eu me lembro que em toda a viagem meu pai e minha mão choravam todos os dias, todas as noites.”

Pergunto como ele se sente quando vê pessoas ajudando refugiados e outras que querem impedi-los de chegar à Europa: “Me sinto privilegiado.Agradecido porque pudemos vir para a  Suécia”, diz.

“Por outro lado me sinto como se eu tivesse uma dívida com aqueles que não têm sido bem recebidos ou não conseguem chegar em segurança.”

Pintado de ouro: recebe prêmio de artilheiro na Suécia

Pintado de ouro: Kujovic recebe prêmio de artilheiro na Suécia

“Todos nos trataram bem. Minha família pode se instalar, dar educação a mim e a meu irmão, trabalhar”, conta. “Por isso da minha parte quando vejo as pessoas que tentam vir agora, eu acho que vale a pena ajudar, vale a pena deixar guerra, ódio e violência para trás e seguir com nossas vidas.”

Futebol
Kujovic começou a carreira no Landskrona BoIS, e se profissionalizou em 2007, no Halmstads B, mas sem chances de jogar foi imediatamente emprestado ao Falkenbergs (a 2ª divisão). Só no ano seguinte, porém quando retornou ao Halmstads estreou na Allsvsnskan.

O atacante trocou a Suécia pelo futebol sueco em 2010, emprestado ao Kayserispor, onde permaneceu até 2012. Em 2013, jogou no  Elazığspor. No ano seguinte se tranferiu para o IFK Norrköpin, onde desde então fez 58 jogos e 39 gols, incluindo os 21 da temporada passada.

O irmão mais velho de Emir, Ajsel Kujovic também se tornou jogador de futebol: na última temporada, ele atuou no Varbergs BoIS.